
Baseado no comunicado da Escola Macovi
Aparentemente, o xadrez em Angola vive um momento de contradição profunda. Enquanto nos tabuleiros o talento explode e os resultados aparecem, nos gabinetes a realidade é outra. A recente actualização do ranking mundial da FIDE trouxe à tona uma frustração latente: a falta de homologação de torneios cruciais que deixa os craques angolanos “congelados” no tempo.
A Voz da Escola Macovi
A Escola Macovi, um dos pilares na formação e defesa dos atletas no País, manifestou publicamente a sua profunda insatisfação com a gestão administrativa actual. Em comunicado oficial nas suas redes sociais, a instituição não poupou críticas à inércia que trava a evolução dos jogadores (Parafraseado):
“O XADREZ ANGOLANO MERECE RESPEITO! A FIDE actualizou hoje os ratings mundiais e, mais uma vez, Angola vê o esforço dos seus atletas ignorado pela falta de homologação. Até quando o talento dos nossos jogadores será travado pela burocracia? Não basta organizar torneios de luxo; é preciso garantir que o suor do tabuleiro chegue à FIDE! A homologação mensal não deve ser um favor, mas uma obrigação administrativa.”
O Comunicado da Escola Macovi na Página oficial da Escola Macovi (Citação Directa)
O XADREZ ANGOLANO MERECE RESPEITO!
A FIDE actualizou hoje os ratings mundiais e, mais uma vez, Angola vê o esforço dos seus atletas ignorado pela falta de homologação. Até quando o talento dos nossos jogadores será travado pela burocracia?
Factos que a lista oficial não mostra:
FM Sérgio Miguel: Campeão do Torneio da Sonangol. No “rating ao vivo”, já ultrapassou os 2300 pontos, o que o colocaria, possivelmente, como o Número 1 de Angola.
CM Jaime Sonhy: Teve uma performance brilhante e somou mais de 100 pontos.
Qual é o problema? Os torneios jogados (como o da Sonangol) não foram enviados ou processados a tempo pela entidade reguladora.
Isso prejudica todos:
1. Ranking Irreal: Os nossos jogadores viajam para o estrangeiro com ratings abaixo do seu nível real.
2. Títulos Adiados: Sem a atualização, a conquista de normas para MI e GM torna-se impossível.
3. Desmotivação: Atletas investem tempo e dinheiro, mas a sua evolução oficial fica estagnada.
Não basta organizar torneios de luxo; é preciso garantir que o suor do tabuleiro chegue à FIDE! A homologação mensal não deve ser um favor, mas uma obrigação administrativa.
Assim não vamos longe!
A Realidade vs. O Papel
Os números oficiais da FIDE, infelizmente, não refletem a verdade desportiva do país. Dois exemplos gritantes ilustram este fosso:
- FM Sérgio Miguel: Após a uma vitória incontestável no Torneio da Sonangol, o seu “rating ao vivo” já superou a barreira dos 2300 pontos. Na prática, Sérgio Miguel é, muito provavelmente, o número 1 de Angola, mas o sistema oficial ainda não o reconhece.
- CM Jaime Sonhy: O jovem talento brilhou ao vencer o MI David Silva, somando uma performance que dispararia o seu rating para os 2279 pontos. Um salto de mais de 100 pontos que permanece invisível para o mundo.
O Custo da Inércia Administrativa
O problema central reside na falha do envio ou processamento dos relatórios de torneios (como o da Sonangol) junto da Federação Internacional. Esta negligência administrativa gera um efeito dominó devastador para o xadrez nacional:
- Subvalorização Internacional: Os atletas viajam para competições estrangeiras com ratings que não condizem com a sua força real, prejudicando emparceiramentos e o prestígio do País.
- Barreiras aos Títulos: A conquista das normas para Mestre Internacional (MI) e Grande Mestre (GM) torna-se uma miragem se os pontos ganhos não forem contabilizados.
- Desgaste Psicológico: O investimento pessoal, financeiro e temporal dos atletas é traído pela burocracia. Sem evolução oficial, a desmotivação instala-se.
“Não basta organizar torneios de luxo; é preciso garantir que o suor do tabuleiro chegue à FIDE! A homologação mensal não é um favor, é uma obrigação.”
Conclusão: É Hora de Gestão à Altura dos Campeões
Angola provou que tem xadrezistas de elite. O que falta, agora, é uma estrutura administrativa que corra à mesma velocidade que o raciocínio dos nossos jogadores. O xadrez angolano exige — e merece — respeito. Que este alerta sirva para que as entidades responsáveis assumam o seu papel com o rigor que o desporto exige.
O talento angolano não pode continuar a ser xeque-mateado pela papelada.






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