Por: Redacção Xadrez TV Luanda, 24 de Abril de 2026

Sob o lema “A comunicação constrói pontes”, o Ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão Pinto de Andrade, reuniu-se hoje, na Galeria dos Desportos (Cidadela), com os órgãos de comunicação social. O evento, que se estendeu por longas duas horas e meia, prometia ser um espaço de balanço e visão estratégica para o futuro do desporto nacional. Contudo, para a comunidade xadrezística, a ponte parece ter ficado incompleta.

Uma Omissão de 150 Minutos

É legítimo que o Ministério procure fortalecer a relação com a imprensa e valorizar os seus parceiros estratégicos. No entanto, é no mínimo inquietante que, num encontro de tamanha duração, o Xadrez — uma modalidade que tem dado provas de resiliência e conquistado resultados internacionais de relevo para Angola — não tenha merecido uma única menção digna de nota.

O xadrez não é apenas um “jogo de nicho”. É uma ferramenta pedagógica de massificação desportiva e um pilar no desenvolvimento cognitivo da nossa juventude. Ignorar o estado atual da modalidade, as dificuldades das nossas academias ou o apoio às competições oficiais durante 150 minutos de discurso e debate levanta uma questão pertinente: Em que posição do tabuleiro está o xadrez nas prioridades do MINJUD?

Parceiros Estratégicos ou Apenas Figurantes?

O comunicado oficial do evento reforça o compromisso de “valorizar, ouvir e fortalecer”. Mas, para que o diálogo seja real, é necessário que todas as peças do sector desportivo sejam movidas. Quando se fala em “promover o desenvolvimento do País” através do desporto, não se pode deixar de fora a modalidade que, com poucos recursos, mais tem trabalhado a disciplina e o raciocínio estratégico dos jovens angolanos.

“Informar é construir o futuro”, diz o slogan do encontro.

Pois bem, o futuro que o Xadrez TV defende é um onde o xadrez não seja o “parente pobre” das conferências de imprensa. Esperávamos ouvir falar de infra-estruturas, de incentivos à alta competição e de planos de inclusão escolar, no que diz respeito ao xadrez. Em vez disso, recebemos o silêncio.

O Xeque-Mate da Indiferença

O Xadrez TV, enquanto órgão especializado e voz ativa da modalidade, lamenta que um encontro desta magnitude tenha passado ao lado da realidade dos tabuleiros nacionais. Se a comunicação constrói pontes, hoje sentimos que a margem do xadrez continua à espera de um pilar que a sustente.

Fica o desafio ao Sr. Ministro: o diálogo é prioridade, mas a inclusão de todas as modalidades é o que define um verdadeiro plano de desenvolvimento desportivo. O xadrez aguarda pelo seu próximo lance.

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